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Personagens


Manu , 29 é um Português radicado no Brasil que mete o nariz onde não é chamado. É frila e ganhou uma mosca mecânica que tem um microsystem de audio e vídeo. Namorava Pérola, uma linda moreninha de olhos azuis, que o trocou por um barman de um hotel de Angola.
Izzy , 34, é primo de Manu. Rico, ganha dinheiro fabricando jacarezinhos para imitar camisas Lacoste. Tem uma casa em Brasília, que cede para Manu morar.
Leopoldo, O Implicante , 66, é aposentado da Receita Federal. Ama e odeia na mesma proporção. Casado com D. Noêmia, que é sua paciente interlocutora.
Leandro , 28, é solteiro e gosta de se vestir com camisa branca social, com a gola fechada, assim como os punhos. Canta no coral da igreja e anda de bicicleta com protetor de calça. À noite, costuma frestiar um casal de vizinhos exibicionistas.

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Contos e Crônicas
(Pelo fim da fascista Voz do Brasil )
Bosco


27/01/2012
Manu e o Detalhe


Manu comeu a última garfada de sua refeição usando a faca para fazer apoio ao garfo. Depois disto, verificou que alguns grãos de arroz remanesceram no seu prato.
- Ahá – pensou Manu – desertores! Então usou o garfo para exercer a função de rede de pesca e prender os grãozinhos por entre os dentes. Manu queria entregar o prato reluzente para a lavadora de pratos do restaurante, que ele já estava de olho há semanas.

Quando foi devolver a bandeja, declarou para a morena:
- Trouxe meu prato bem limpinho, para poupar os seus graciosos músculos – disse o gajo. E ela:
- Obrigada. Se quiser, me espere depois do expediente. Mas já vou avisando, para estrangeiros eu cobro 150 euros. Mas é completa.

Manu sentiu como que uma adaga tivesse sido enterrada no seu peito, atingindo seu coração e depois girada em 180 graus. Aquela moreninha lembrava uma antiga namorada sua, filha de um dentista vindo de Angola, que tinha um Mercedes Benz 190 bege, com motor a diesel. Os mesmos olhos, as mesmas sobrancelhas. Enquanto Manu buscava mais comparações, a auxiliar de cozinha acrescentou: - Sim, sou eu, Manu. Eu sou Naguila, a filha do dentista. Nós viemos ao Brasil há dois anos. Estamos pobres. Estou me virando como posso.

Manu ficou compadecido e, ao mesmo tempo, sentiu uma coceirinha na ponta do pinto que foi se irradiando em direção à base. Ao mesmo tempo, um buraco no seu estômago se formou e dentro dele foram soltas dezenas de borboletas. Abortou uma náusea, pois não queria se dar ao luxo de perder aquela oportunidade. E emendou:
- O euro está cotado em quanto?
E ela, prontamente:
- Está congelado desde 2011. Eu não tenho saco para ficar cotando todos os dias.
- Opa, final de 2011 está bom para mim. Te espero nos fundos do restaurante, tenho um Celta prata. Quando você sair, eu dou sinal de luz. Até....um beijo.





26/01/2012
Pensamentos de Leandro

Só há um jeito de se transformar o impossível em possível. É passando a borracha no "im".




26/01/2012
Pensamentos de Leandro

Após o pedido de concordata da Kodak, Simon & Garfunkel deverão relançar a música Kodachrome com o novo título: Googlechrome. Sinal do tempos, ué!





24/01/2012
Manu em Cana


Amelinha, a mais nova companheira de Manu, recebeu um telefonema esquisito. Eram quase 9 horas da noite. Um indivíduo com voz de fumante pesado dizia que Manoel Izidro Santaclara estava preso na 5ª DP e que tinha dado o número dela como referência. Ao chegar lá, deparou-se com Manu trancafiado junto com outros detentos, enrolado em um cobertor “corta-febre”, e chorando.
- O que foi Manu?
- Desacatei uma autoridade.
Ela quis saber dos detalhes e ele, entre soluços, narrou assim:

Eu fui ao supermercado fazer umas comprinhas, coisas bobas, tipo pão e leite. Na saída, parei na lotérica para fazer uma fezinha na mega acumulada. Tinha uma fila enorme. Quase desisti, mas depois me bateu uma sensação de que se eu não jogasse, meus números sairiam e eu ficaria lamentando pelo resto da vida. E a fila andando super devagar, porque tinha gente pagando contas, comprando cartão de celular, tinha até gente recebendo dinheiro, sei lá de onde. De repente, apareceu um indivíduo de cabelos e bigode pintados de caju e entrou na filinha dos idosos e grávidas. Eu fiquei puto. Primeiro porque minhas compras estavam pesando nas mãos e cortando minha circulação dos dedos. Depois porque, porra, se o cara pinta o cabelo é porque quer se passar por jovem. Mas na hora de usar os benefícios da idade, passa na frente da gente. Reclamei. O cara, virou-se para mim. Então eu vi que ele tinha uma corrente de ouro no pescoço e outra no pulso. E ele disse: - Quer ver minha carteira de identidade? E eu: - Nem precisa, eu sei que o senhor é velho, dá pra ver nas rugas do pescoço e em volta dos olhos. Mas os cabelos pintados e a pose de boyzinho não combinam com fila de idoso. Aposto que estacionou também na vaga de idoso. Ele quase concordou comigo, mas aí o pessoal da fila começou a rir e uma mulher lá do fundo disse: - Hei, me deixa levar você no colo, quem sabe você não passa por bebê e eu entro também nessa filinha aí. O cara começou a morder os próprios lábios. Eu disse: - É, vovô, acho que das duas uma: ou entra na fila normal ou deixa os cãs. Foi o que bastou. Ele disse: Cadela é tua mãe, seu filho da puta. Pensa que eu sou bobo? Você nem brasileiro é. E me deu um tapa na cara. Quando eu ia revidar, apareceu um guarda e me deu com o cacetete na cabeça. Acordei no camburão. Tudo porque o véio-jovem é delegado aposentado. Agora não sei o que vai ser. Tem um negão aí que disse pra eu não dormir senão terei um pesadelo de que estarei sendo enrabado.





22/01/2012
TIM...TIM

TIM quer dizer Telecomunicazione Italia Mobile. A TIM é tão mobile quanto La Donna. A TIM é uma empresa que pertence à mesma cultura que criou e educou o Comandante do navio de 20 andares, que se chocou contra uma pedra e que fez um rombo de 70 metros no casco, e que pediu mais champagne no seu camarote após a sensação do"que porra é esta", que havia assolado a tripulação e os mais de 4 mil passageiros. E ele estava acompanhado de uma européia do leste, as mais cobiçadas da macharada ocidental rica.
A TIM tem, no topo de sua administração, um corpo de conselheiros que foram educados formal e informalmente na cultura italiana que abrigou por quase 12 anos, um primeiro ministro rico e canastrão que deflorava meninas européias do leste, do oeste, do sul, de onde fosse; e também africanas, asiáticas, eslavas.

Enfim, acho que é a TIM que anda me afastando do Portal do Comunique-se. É água mole em pedra dura.



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